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30 de abril de 2014

Desenho (Parte I)

Tenho gasto boa parte do meu tempo ultimamente fazendo desenhos. Tanto que resolvi voltar pras poesias, mas o problema é que não consigo pensar em outra coisa que não seja... desenho.
No início tive tanta dificuldade pra fazer meus desenhos, mas de repente comecei a me acostumar com esta forma de expressão, tanto que ao olhar pra uma folha em branco eu conseguia imaginar traços....e não mais palavras.
Espero que seja só uma fase. Não gostaria de ter de abandonar este blog.

Parte I

Certa vez eu quis
ver o mundo representado
em aquarela, grafite e giz

Me livrar do tão limitado
mundo literário
com seus 26 símbolos gráficos

vírgulas e travessões
exclamações e interrogações
acentos, pontos finais
e nada mais

Vi no desenho um caminho
quase infinito
de variações de tons e traços
mesmo nos monocromáticos

1 de março de 2014

Reflexos

No espelho
eu vejo
reflexos
Simples traços
sob a luz desenhados
sem nexos


Em mim mesmo
eu vejo
dedicação aos versos
como um missionário.
Admiro as estrelas do universo
como um lobo solitário

No céu, tão complexo
eu vejo
como meros reflexos
os pensamentos que tenho


Tão significantes
quanto a pedra atirada ao lago
tão gratificante
quanto um raio de sol num dia nublado
tão fascinante
quanto ver o mesmo
reflexo de antes no espelho

4 de fevereiro de 2014

Ciência Vã (Parte II)

Vejo sondas irem a Marte
e vejo-me dividido
entre o fascínio pela novidade
e as consquências disso

Será apenas uma pesquisa de solo?
ou planeja o homem vistitá-lo logo?
gastar inimagináveis cifras
pra construir em Marte
o que na Terra existe em toda parte
e é impetuosamente destruída:
A vida

Nos mais secos desertos
ou nas mais frias geleiras,
existem seres vivos dispersos
na Terra inteira.

Se vivendo no mesmo planeta,
nossas diferenças são várias
de política, religião e de crença,
em Marte serão planetárias

E à inventividade humana
e à ganância, não há limites
o mesmo vale porém,
às consequências também

Marte seria para o turismo
e moradia de uma nova elite.
Ou ainda pior que isso:
Talvez a TV Globo decidisse
 fazer o BBB 84*
Levando só os pobres indesejados
para serem eliminados
em um planeta desolado.



*Não por mera coincidência, 100 anos após o livro 1984, de George Orwell

25 de janeiro de 2014

Ciência Vã (Parte I)

incongruência?
futilidade?
Pra quê serve a ciência
de verdade?

Pra descobrir o quanto somos tolos
poluindo com monóxido de carbono?
Pra descobrir o quanto somos ínfimos
num universo infinito?

Pra descobrir tantas energias
limpas, alternativas
e nossa frota toda é movida
a diesel e gasolina

O genoma sendo decifrado
tratamentos cada vez mais avançados
E 1/8 da população sofre
Da 1ª doença a ter cura: a fome
De que adianta descobertas
Se os homens não beneficiam-se delas?

Não, não sou contra a ciência
Pelo contrário,
quando aluno, era fascinado
por ver o profº fazer experiências

Ver algum aspecto da natureza
fazer sentido, ter lógica
Conseguir respostas
a (quase) tudo que aconteça

meu corpo é são
mas será minha mente sã?
por ter como 2ª religião
uma ciência vã?

2 de novembro de 2013

Simplista (Parte II)


Os sábios sonham
os tolos devaneiam
Os ricos planejam o futuro
os pobres lamentam o passado

Arquitetos fazem projetos
crianças, curvas e traços retos
Os sãos avaliam possibilidades
os loucos admiram a insanidade

Mas... de uma forma simplista
não são todas estas formas de sonhar?

Ao menos não posso duvidar
que esta teoria ao meu ofício se aplica:
É o sonho, de forma simplista
A essência de toda poesia já escrita.

30 de outubro de 2013

Simplista (Parte I)

Pintores pintam
músicos compõem
atores imitam
dançarinos se opõem
escultores esculpem
filósofos e poetas,
que me desculpem
Mas estes apenas sonham....

Este poeta simplista
Não consegue achar uma rima
Para aqueles que sonham...

Sonham com a sociedade ideal
A rima perfeita
Sonham com o bem vencendo o mal
--

28 de setembro de 2013

Apocalipse Capítulo 1

Capítulo 1 (parte II)

Estava em uma ilha
conhecida por Patmos
por falar o que Deus ensina
e o que sobre Cristo havia testemunhado

Por inspiração
estive no dia do Senhor em uma visão
e atrás de mim ouvi, intensa
uma voz como uma trombeta

Que me dizia:
“Não perca nada de vista
escreva no pergaminho, não tardes!
E envia às 7 congregações de toda parte
em Éfeso, Esmirna
Pérgamo, Tiatira
Filadélfia, Laodicéia e Sardes.”

E virei-me rapidamente
pra ver quem tinha falado
e atentamente,
vi 7 castiçais dourados

e no meio dos sete
um homem cujas vestes
cobriam-lhe todo corpo
e no peito, uma faixa de ouro

Tinha os cabelos brancos
como a lã e o topo das montanhas nevando
e seus olhos estavam flamejando

E cada um de seus pés aparentava
ser cobre puro saído da fornalha
e sua voz ecoava pelos ares
como o som dos mares.

E em sua mão direita
estavam presas 7 estrelas
e em sua boca mostrava
as 2 lâminas de uma espada
e ao ver sua face
era como se brilhasse
como mais energia
o sol do meio-dia

E depois de tê-lo visto
perdi os sentidos
e em seus pés caí de assombro
e pondo a direita sobre meu ombro
Disse: “Esqueça-te do susto
sou o primeiro e último
(Na terra) vivi e morri
mas tenho sempre por perto
as chaves da morte e dos cemitérios
por isso escreve
todo detalhe que você enxergue
e o que agora acontece
é o que virá em breve.

Quanto ao enigma
das sete estrelas
que há pouco se via
na minha mão direita
e dos candelabros
todos os sete dourados:
As estrelas são anjos
e os candelabros os templos
que estes mesmos
estão vigiando. ”